Este é o segundo post sobre os diferentes tipos de lã e fios. Aqui, vamos tratar das fibras naturais vegetais. Na verdade, a palavra “lã”, não faz muito sentido quando nos referimos a essas fibras, pois são de origem vegetal e não animal. O mais correto, então, seria usar a palavra fio.

De modo geral, as fibras vegetais não esquentam tanto, e por isso podem ser uma opção boa para quem mora em regiões mais quentes. Outra característica em comum é que são hipoalergênicas. Este post fala com mais detalhes sobre o algodão, o linho, o cânhamo e o bambu, mas existem fios feitos a partir de outros materiais como o milho, a soja, o coco e até mesmo algas!

 

Algodão

algodão
foto: loveknitting.com

O algodão é a fibra extraída do algodoeiro, que é uma árvore que cultivada em regiões quentes. Os maiores produtores de algodão são a Índia, os Estados Unidos e a China. A fibra do algodão é leve, resistente e respira bem. Porém, o aspecto principal que precisa ser levado em conta ao escolher o algodão para um projeto é a sua pouca elasticidade. Essa característica pode ser positiva ou negativa dependendo do que você irá fazer.

O algodão é uma boa opção para peças mais firmes e duráveis. Por isso, os fios 100% algodão costumam ser mais usados no crochê para fazer peças decorativas ou amigurumis. Quando se trata de tricô, a pouca elasticidade pode ser um problema. Peças feitas em algodão não retêm bem a forma mesmo depois de blocadas, ou seja, é possível que elas fiquem deformadas depois de serem lavadas. Portanto, evite secá-las penduradas no varal. Além disso, o algodão pode absorver até 27 vezes seu próprio peso em água. Se o seu projeto é um biquini ou maiô, lembre-se disso!

Outra característica a ser considerada na hora de tricotar com algodão é a definição dos pontos. Isso significa que tanto a beleza quanto os defeitos da malha aparecem com mais clareza. Então, se você quer fazer uma peça com pontos mais trabalhados, o algodão pode ser uma ótima opção. Contudo, se você não tem muita experiência no tricô, pode ser melhor evitá-lo por enquanto.

Ainda assim, roupas tricotadas em algodão ficam lindas e são ideais para o verão. Uma opção para minimizar as suas características negativas é usar um fio que combine algodão com outra fibra, como a lã merino, nylon e o acrílico.

algodoeiro
Algodoeiros (foto: barnhardtcotton.net)

Na minha opinião, a pior desvantagem do algodão diz respeito ao seu modo de cultivo. Cerca de 10% de todos os pesticidas produzidos no mundo são usados nas plantações de algodoeiro. É muita coisa! Então, se você se preocupa com sustentabilidade, uma opção é comprar algodão orgânico. Mas infelizmente não é fácil encontrar esse tipo de fio, e nem barato. Enquanto isso, ficamos na expectativa de que as empresas criem um pouco de consciência ecológica e mudem isso!

Prós: leve, resistente e respira bem.

Contras: pouco elástico.

Indicações: peças decorativas, amigurumis e roupas de verão.

Contraindicações: roupas de banho.

Dica: evite 100% algodão se você não tem muita experiência, pois qualquer imperfeição fica muito aparente.

 

Linho

linho
foto: loveknitting.com

O linho foi uma das primeiras fibras usadas pela humanidade. Ele é extraído de uma planta que chega a atingir um metro de altura, cultivada em climas temperados.

A fibra do linho é durável e altamente absorvente. Além disso, ela apresenta outras características semelhantes ao algodão, como a pouca elasticidade. Assim, o linho também costuma apresentar os mesmos problemas de deformação das peças e imperfeições nos pontos. Por isso, evite tricotar grandes áreas em ponto meia (ponto malha).

A princípio, o fio de linho pode parecer um pouco duro. No entanto, o seu “toque” muda bastante e ele fica mais macio depois que a peça é lavada. Assim, é essencial fazer uma amostra e blocá-la para usar como referência para o projeto.

Como as demais fibras vegetais, o linho é uma ótima pedida para roupas de verão. Porém evite usá-lo em peças que precisem de mais elasticidade, como meias.

Planta do linho (flax)
Planta do linho (foto: petpoisonhelpline.com)

Prós: durável e absorvente.

Contras: pouco elástico.

Indicações:  roupas de verão.

Contraindicações: peças que precisem de elasticidade.

Dica: peças de linho ficam mais macias com o uso.

 

Cânhamo

cânhamo
foto: loveknitting.com

A fibra do cânhamo é extraída de uma planta com o mesmo nome, que cresce em quase qualquer clima e solo. Apesar do parentesco, o cânhamo é diferente da planta da maconha e não pode ser usado como droga, pois seu teor de THC, que causa os efeitos psicoativos, é mais baixo. O cultivo do cânhamo não requer o uso de pesticidas, o que é bem positivo do ponto de vista ecológico.

Cânhamo
Cânhamo (foto: collective-evolution.com)

A fibra do cânhamo é muito forte e durável, sendo cinco vezes mais resistente que o algodão. No entanto, ela costuma ter uma textura mais áspera e pode machucar um pouco os dedos ao tricotar ou crochetar. Por isso, recomenda-se molhar o fio com água quente e deixar secar para que fique mais agradável manuseá-lo. E, assim como o linho, o cânhamo fica mais macio com o uso e as lavagens. Dependendo da aspereza do fio, ele pode ser usado para projetos de decoração ou, se for mais macio, para peças rendadas ou roupas de verão.

Prós: durável, resistente, sustentável.

Contras: textura rústica que pode machucar as mãos ao tricotar ou crochetar.

Indicações: peças de decoração, roupas de verão e rendas.

Contraindicações: peças que precisam ser muito macias.

Dica: lavar o fio em água quente e deixar secar pode deixá-lo menos áspero.

 

Bambu

bambu
foto: loveknitting.com

O bambu é uma planta que dispensa apresentações. No entanto, existe um pouco de confusão quando se trata de produtos têxteis feitos de bambu. Eu, que não sou especialista no assunto, pesquisei bastante e, pelo que entendi, existem dois tipos de têxteis derivados do bambu: um mais natural, semelhante ao linho e o cânhamo, e outro que é considerado semissintético.

Bambu
Bambu (foto: thespruce.com)

Na maneira mais “natural” de processar o bambu, as fibras são extraídas de forma mecânica. No entanto, esse processo é mais trabalhoso e caro, e resulta em um fio que não é tão macio. Por isso, a maior parte dos produtos têxteis de bambu não são feitos dessa forma.

A maioria dos fios e produtos feitos a partir do bambu são produzidos quimicamente e, assim, são considerados semissintéticos. As plantas são “cozinhadas” em uma mistura de solventes químicos que incluem a hidróxido de sódio (soda cáustica) e o dissulfeto de carbono. Esses dois compostos são tóxicos e podem fazer mal para a saúde dos trabalhadores, além de poluir o ar e a água. No final do processo, o resultado é um fio sedoso e macio que tem muito pouco das características naturais do bambu. Normalmente, esse produto passa a ser chamado de viscose ou rayon (chamado de seda artificial). Mas, às vezes, as empresas querem surfar na onda da sustentabilidade e vendem com nome de bambu.

A princípio, isso pode parecer um pouco estranho, pois muito do marketing feito em favor do bambu se baseia numa ideia de sustentabilidade ecológica. De fato, o bambu é uma planta que cresce muito rapidamente e que não precisa de pesticidas ou fertilizantes químicos. Infelizmente, apenas uma minoria dos fios são produzidos através do processo mecânico. Se você já comprou um fio de bambu muito macio, provavelmente ele foi feito pelo método químico.

O fio de bambu feito pelo processo mecânico (mais “natural”) possui características semelhantes ao linho. Assim como as outras fibras naturais vegetais, é fresco e pode ser usado para roupas de verão. Além disso, é absorvente, hipoalergênico e antibacteriano.

Prós: absorvente, hipoalergênico e antibacteriano.

Contras: pouco elástico e rústico.

Indicações: roupas de verão.

Contraindicações: peças que precisem ser muito macias.

Dica: não confundir o fio de bambu natural com o rayon ou a viscose.

 

No próximo post sobre os tipos de lã, vamos tratar das fibras sintéticas. Se você não leu o post sobre as fibras naturais animais, não você pode encontrá-lo aqui. Espero que essas informações ajudem você a escolher melhor qual fio usar nos seus projetos! 

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