Os armarinhos são um paraíso para qualquer crafteiro(a). São tantas cores, texturas, variedade… dá para ficar bem perdido com tantas opções! Não sei você, mas eu já fiz péssimas escolhas na hora de comprar lã para novos projetos. O resultado é uma caixa cheia de novelos que não sei o que fazer. Resolvi, então,  pesquisar mais sobre cada tipo de lã para ficar mais segura nas minhas próximas decisões.

Na verdade, o termo lã refere-se apenas às fibras de origem animal, com exceção da seda. Mas, aqui no Brasil, é comum usarmos essa palavra para vários tipos de fio, inclusive os de origem sintética. Sinceramente, acho que tanto faz. O importante mesmo é conhecer os fios para saber qual escolher ao começar um projeto novo.

Os fios são feitos a partir de fibras, que podem ser de origem animal, vegetal ou sintética. Cada tipo de fibra possui características particulares: umas são mais longas, outras mais curtas; umas mais finas, outras grossas, mais lisas ou mais onduladas… e por aí vai. E, naturalmente, essas particularidades fazem com que cada uma seja mais adequada para um tipo de trabalho.

Neste post, vou falar um pouco sobre as fibras naturais animais. Em breve, publicarei outro sobre as fibras naturais vegetais e as fibras sintéticas. Estou preparando também um infográfico para reunir de forma resumida as características e indicações de uso de cada uma. Espero com isso ajudar você nas suas próximas compras!

 

Merino

lã merino
foto: loveknitting.com

O merino é uma raça de ovelha que possui uma lã de alta qualidade, e que ficou mais famosa no Brasil recentemente, com a febre das mantas em maxi tricô. Apesar dessa raça ser originária da Península Ibérica, atualmente a Austrália e a Nova Zelândia são os maiores produtores de lã merino.

ovelhas merino
Gangue dos merinos (foto: greenfieldsstud.com.au)

Esse tipo de lã possui muitas qualidades: é macia, resistente, durável, não costuma causar reações alérgicas, aceita bem o tingimento e retém a forma depois de blocada. Além disso, não costuma pinicar nem criar odor. Por isso, pode ser usada em todos os tipos de peças de vestuário, como blusas, meias, luvas, gorros etc. No entanto, sua maciez pode facilitar a criação de pilling, que são aquelas bolinhas que aparecem na lã conforme o uso, principalmente em áreas que sofrem mais atrito, como as axilas e os punhos.

Prós: macia, resistente, durável. Retém a forma depois de blocada e não cria odor.

Contras: cria pilling.

Indicações: todos os tipos de peças de vestuário.

Contraindicações: a princípio, nenhuma.

Dica: Procure não lavar a peça com muita frequência, e quando lavar, deixe secar na horizontal.

Além do merino, outras raças de ovelha possuem lãs com características específicas. A raça proveniente da Islândia, por exemplo, é conhecida por sua lã rústica (“lópi”), que é mais áspera e resistente. Outra raça famosa é a proveniente das ilhas Shetland, no norte da Escócia.

ovelhas da Islândia
Você sabia que tem 2x mais ovelhas que pessoas na Islândia? (foto: reykjavik.com)

 

Cashmere

lã cashmere
foto: loveknitting.com

Cashmere (caxemira) é uma fibra extraída de um tipo de cabra encontrada em regiões montanhosas do sul da Ásia. Essa lã é um dos produtos têxteis mais luxuosos e caros, pois uma cabra adulta produz apenas 100g de lã por ano. Por isso, são necessárias de 3 a 5 cabras para um suéter ou 10 cabras para um casaco.

cabra cashmere
Lindas e ricas (foto: ftc-cashmere.com)

O cashmere é uma lã muito macia, leve e quente, pois a fibra é seis vezes mais fina que cabelo humano. Por ser tão delicada e macia, as peças produzidas em 100% cashmere são pouco resistentes e criam pilling facilmente, e precisam de cuidados especiais. Para resolver tanto o problema do preço quanto o da durabilidade, o cashmere costuma ser combinada com outras fibras, como a lã merino, o algodão, a seda ou até mesmo acrílico. Apenas 10% de cashmere já é o suficiente para deixar a lã muito macia.

Penteando a cabra para extrair a lã
Penteando a cabra para extrair a lã

Prós: macia, leve e quente.

Contras: cara e frágil.

Indicações:  peças delicadas.

Contraindicações: peças que precisam ser lavadas com frequência.

Dica: prefira novelos que combinem a caxemira com outro tipo de fibra para maior resistência e menor custo.

 

Alpaca

lã alpaca
foto: loveknitting.com

A alpaca é um animal nativo dos Andes, criado principalmente no Peru, Chile e Bolívia. É considerado um animal doméstico e dócil, da mesma família que a lhama e o guanaco. Mas, apesar do parentesco, a lã de alpaca é muito mais macia e de qualidade superior. Outro aspecto positivo é que a fibra repele a água, dificilmente pega fogo e é hipoalergênica, pois, diferentemente da lã de ovelha, não contém lanolina.

Alpacas amigas
Alpacas amigas (foto: modernfarmer.com)

A lã de alpaca costuma ser mais cara que a lã de ovelha, pois as alpacas não podem ser tosquiadas com a mesma frequência. Outra característica indesejada desse tipo de lã é o seu peso. Por exemplo, um suéter feito com um novelo 100% alpaca costuma ficar esticado e deformado com o tempo. Para peças com maior durabilidade, é indicado usar fios que combinem a lã da alpaca com outras fibras. Além disso, não é recomendado usar esse tipo de lã para jacquard, pois o peso faz com que a cor do fio que passa pelo avesso por fique visível pela frente do trabalho.

Prós: macia e hipoalergênica.

Contras: peças podem ficar deformadas pelo peso.

Indicações: roupas para bebês (hipoalergênica).

Contraindicações: jacquard.

Dica: prefira novelos que combinem alpaca com outro tipo de fibra para melhorar a durabilidade.

 

Mohair

lã mohair
foto: loveknitting.com

O mohair é feito a partir do pelo da cabra angorá. Apesar do nome, essa cabra não tem nada a ver com a lã angorá, que é tirada de coelhos. O mohair pode ser facilmente identificado pela sua textura que, para mim, lembra um pouco cabelo com frizz (hehehe). Esse tipo de lã é durável, leve, elástica e tem propriedades térmicas excelentes.

cabra angorá (mohair)
Cabra angorá e seu cachinhos brancos. (foto: sprucehillfiber.wordpress.com)

Por sua textura característica, o mohair pode ser um pouco mais difícil de tricotar, e não fica muito bonito em pontos trabalhados ou tranças. Mas isso não é um problema, pois textura da lã já é linda por si só. Na verdade, dificilmente você vai encontrar um novelo 100% mohair, pois uma roupa tricotada com essa lã se deforma muito rapidamente pela grande elasticidade da fibra. Além disso, ela costuma pinicar mais que os outros tipos de lã, então não é adequada para roupinhas de bebê nem cachecóis.

Prós: durável, leve, elástica e quente.

Contras: pode irritar a pele (pinicar) e ser mais difícil de tricotar.

Indicações: suéteres e mantas.

Contraindicações: roupas para bebês e cachecol ou peças com pontos elaborados ou tranças.

Dica: não use lã 100% mohair pois as peças deformam muito facilmente.

 

Angora

lã angora
foto: loveknitting.com

A lã angorá, obtida da pelagem do coelho de mesmo nome, é uma das fibras animais mais luxuosas e caras. Para extrair a fibra, é só pentear o coelho. Esse tipo de lã é extremamente macia, leve e sedosa. Além disso, é sete vezes mais quente que a lã de ovelha. Por sua delicadeza e elasticidade, as peças feitas com lã angorá precisam de cuidados especiais. Pontos de tricô muito elaborados não se destacam bem nesse tipo de lã, então dê preferência a malhas mais simples.

coelho angorá
Gente, tem um coelho ali dentro! =O (foto: metro.co.uk)

Prós: macia, leve, sedosa e quente.

Contras: cara e frágil.

Indicações: peças delicadas

Contraindicações: peças com pontos elaborados ou tranças

Dica: novelos que combinam angorá com acrílico são menos elásticos e retém melhor a forma.

 

Seda

seda
foto: loveknitting.com

A seda, produzida pelo bicho-da-seda, é a fibra natural mais resistente. Ao produzir o casulo, a larva expele, por suas glândulas salivares, uma proteína líquida que endurece quando entra em contato com o ar. Cada casulo pode ter até 1 km de filamento!

Além de resistente, o fio de seda respira bem, e por isso é usado também em roupas de verão, apesar de também poder ser usado em peças mais quentes. No entanto, por causa do preço elevado, o fio costuma ser mais fino, e por isso é muito usado em peças rendadas, como xales. Para resolver o problema do alto custo, costuma-se misturar a seda com outras fibras, como a lã de ovelha, algodão ou até mesmo poliéster. O fio de seda não é muito elástico, e por isso pode ser um pouco mais difícil de tricotar. Por esse mesmo motivo, não é adequado para roupas muito justas nem peças em jacquard.

Prós: resistente e respira bem

Contras: caro e mais difícil de trabalhar, pois é pouco elástico

Indicações: roupas de verão e tricôs rendados

Contraindicações: jacquard e roupas justas

Dica: o fio de seda pode ser escorregadio, então escolha bem suas agulhas!

 

E então, ficou mais claro qual tipo de lã é melhor para cada peça? Eu sei que é muito difícil encontrar lãs naturais aqui no Brasil, mas vale a pena conhecer. Em breve, vou publicar outro post sobre as fibras vegetais e sintéticas. Também quero escrever um post discutindo se vale a pena ou não usar esses tipos de fibra do ponto de vista da sustentabilidade. Mas por enquanto é isso! Boa sorte na escolha da lã para seu próximo projeto!

Deixe seu comentário